O Liminar da África se abre à América Latina

Conhecido como o limiar da África, Marrocos é projetado fortemente para a América Latina através de uma Associação Cultural composta por intelectuais e acadêmicos interessados em uma abertura para a região da América Latina.

Seu objetivo é obter maior conhecimento sobre essa parte do mundo como condição para aumentar a amizade e a colaboração entre este país árabe e essa área além do Atlântico.



A associação foi fundada em fevereiro de 2018, em Tânger, uma cidade importante no norte de Marrocos, ‘porque não havia órgão ou entidade cultural que soubesse qual é a cultura, a literatura e a história dos países latino-americanos’.

Isso foi explicado à Prensa Latina pela hispânica e pesquisadora Randa Jebrouni, para quem é de grande importância o desenvolvimento de ‘uma diplomacia cultural’ que permita a aproximação e o fortalecimento dos vínculos entre ambas as partes.

A ideia se tornou realidade quando essa especialista, atual chefe da entidade, foi convidado pela academia do Reino de Marrocos, em Rabat, para várias conferências nas quais participavam personalidades dedicadas especificamente à América Latina.

Foi uma abertura para os países latino-americanos, nos dedicarmos exclusivamente à história e cultura da região, ou seja, tudo ‘, disse o autor do livro Letter and City, Tangier nas atuais literaturas espanhola e marroquina.

Essa cidade é palco de inúmeras atividades em espanhol e sobre a cultura hispânica em geral ‘, mas não tinha uma entidade dedicada à amizade entre Marrocos e a América Latina em árabe ou espanhol’.

Em seus dois anos de trabalho, a associação estabeleceu relações com um grupo de amizade e solidariedade na França e com a fundação do pintor cubano com sede em Paris Lorenzo Padilla.

Esse artista possui uma obra ligada à África, a ponto de doar uma coleção de arte africana ao Museu de Arte da cidade de Matanzas, no oeste da ilha do Caribe.

A amostra é considerada um dos maiores repertórios do patrimônio cultural africano no continente latino-americano e é composta por 309 peças de quatorze países e 72 etnias.

Um dos valores do trabalho da associação está na descoberta de vínculos entre as duas regiões geográficas.

Um exemplo: o ponto de cruz na costura chegou ao México a partir de Marrocos através das expedições de navios que saem da Espanha com os mouros marroquinos, revelou Jebrouni.

Da mesma forma, existem estudos sobre receitas culinárias existentes neste país africano e no Peru, acrescentou o pesquisador.

‘É por isso que é importante trabalhar no campo cultural. Há muita coisa que liga a América Latina ao Marrocos. Aqui temos um grande número de departamentos hispânicos em universidades que fazem um excelente trabalho de diplomacia cultural’.

‘E esse elo é essencial, é a língua espanhola que nos une. Marrocos é um país muito importante no continente africano e desfruta daquele lugar estratégico que é o limiar para esse mundo e cultura tão milenar’.

Entre as ações mais recentes da associação está uma homenagem ao Herói Nacional de Cuba, José Martí, quando se comemora o 167º aniversário de seu nascimento ‘para destacar a pegada árabe no grande pensador e escritor cubano’.

O evento contou com a presença do embaixador da ilha no Marrocos, Javier Domokos, que acaba de apresentar suas credenciais ao rei Mohamed VI, após um período de distanciamento entre os dois países.

Por Victor M. Carriba Rabat, 28 de fevereiro

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